quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Vestibular em Foco - Aula 1

Atividade nº 01

Assista ao vídeo 'Vestibular em foco' - Aula 1, e faça um breve comentário sobre a obra de Graciliano Ramos. Leve em consideração os aspectos descritos no vídeo, relacionando-os à leitura dos capítulos lidos por vocês. Mãos à obra!

Atividade nº 02

Leia uma análise do livro em estudo (clique aqui) e responda: A obra de Graciliano Ramos pode ser considerada ultrapassada nos dias de hoje? Justifique sua resposta, pautando seu comentário em argumentos convincentes. Você pode também pesquisar em sites de busca sobre o tema para aprofundar-se mais sobre o assunto. Fique à vontade.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Apresentação dos textos

Os textos a seguir foram produzidos pelos alunos das 8ª séries B e C, mediante leitura, compreensão, análise, refexão do livro Vidas Secas de Graciliano Ramos. Após estudo sobre o cordel e o repente, os alunos reescreveram os capítulos do livro na tipologia estudada, no que alcançaram êxito. A leitura ficou gostosa, fluente e coerente com a versão original. Esta é a primeira parte da coletânea. Em breve publicaremos a segunda parte. Leiam e comentem!
Gostaria de deixar registrada a minha satisfação com o resultado do projeto, dando parabéns aos que o colocou em prática: meus alunos, que com labor e sabor dedicaram-se às produções das poesias. Continuem assim!

Capítulo 1 - Mudança

Os sertanejos atravessavam
A caatinga pernambucana
Debaixo de sol desidratavam
Naquela seca sacana
Viviam com fome e sede
Á procura de uma folhagem verde

Para lá se arrastavam
Sinhá Vitória devagar
Os juazeiros se aproximavam
O filho pôs-se a fraquejar
Sentou-se no chão
E Fabiano pegou o facão.

O pirralho não se mexia
Fabiano desejou mata-lo
Ele atrasava a travessia
Pensou em abandona-lo
Tinha um coração grosso
Era duro como um osso

Pelo espírito no sertanejo
Passou mil e uma coisas
Mas pensou no seu fraquejo
Nos urubus atrás das moitas
Neste momento teve pena
Quando viu aquela cena

A viagem prosseguiu
Mais lenta e arrastada
Baleia à frente seguiu
Com as costelas arqueda
A fome apertava
E por dentro ela chorava

A imagem do juazeiro
Tornou a aparecer
Fabiano com o passo ligeiro
Esqueceu-se de comer
Os calcanhares gritavam
E em seguida sangravam.

Fabiano avistou uma fazenda
Com um curral deserto
Só poderia ser uma prenda
Disso ele estava certo
Ali ele se estabeleceria
E a marcha, enfim, acabaria.

Thaislane, Adriana, Camila Sant’anna , Edna e Liliam (8ªB)

Capítulo 2 - Fabiano

Para a novilha voltar ao curral
Cruzou dois gravetos e rezou
Seguia o rastro do animal
“Se não morreu...”, ele pensou
Sua oração era forte
Entregou-a à própria sorte

Fabiano seguia enfrente
Com sua cachorra Baleia
Saltitando à sua frente
Farejando a areia
Procurando a novilha
Que deixou uma trilha

Fabiano parou e pensou
Que já haviam passado fome
Neste momento lembrou
Que de seu só tinha o nome
Ele era um coitado
Que a vida deixou de lado.

Até bicho ele se achava
Tinha orgulho, “ora essa!”
Enquanto ele matutava
Que agüentava um vida dessa
Só bicho assim podia
Viver sem moradia

Da fazenda ele se apossou
E quando o fazendeiro chegou
Imediatamente os expulsou
Mas ele se fez desentendido
Foi muito precavido
E seus serviços lhe prestou

Tinha um jeito desengonçado
Não sabia nem falar
Preferia ficar calado
E só com os bichos conversar
Nem com os filhos se entendia
Brigava todo dia.

A miséria se fazia presente
Sinhá Vitória reclamava
E pra deixa-la contente
De uma cama precisava
Pra Fabiano ela pedia
Aquilo que ela mais queria

Fabiano se preocupava
Com o destino dos pequenos
Para a vida que os esperava.
“Que fossem duros, ao menos!
Seus filhos estavam à toa
Levando a vida numa boa

Ele só queria ter educação
Saber se comportar
Como seu antigo patrão
Quem passou a admirar
Tinha do que se orgulhar
Porque sabia como falar

Andréa, Camila, Daiane, Joanice, Jéssica e Josoelton (8ª B)

Capítulo 3 - Cadeia

Fabiano foi à feira
Comprar mantimentos
Não podia fazer besteira
Tinha o aconselhamento
Precisava dos alimentos
Para garantir o seu sustento

Ele estava preocupado
Em não ser enganado
Estava regateando
E já estava cansado
À bodega se dirigiu
E beber uma pinga decidiu

O copo num trago virou
Mas logo depois cuspiu
Os beiços na manga limpou
E o seu rosto contraiu
Depois da golada, ele jurava
Que na pinga, Inácio, água colocava

Sentado na calçada
Foi quando de repente
O soldado se aproximou
Falou-lhe familiarmente
E para um jogo o chamou
Fabiano tremeu, mas aceitou

Acabou perdendo no jogo
Retirou-se bruscamente
O soldado achou um desaforo
Surrou-o como um touro
Estava de cabeça quente
Tratou-o humilhantemente.

Jaqueline, Jéssica, Letícia (8ªC)

Capítulo 4 - Sinhá Vitória

Entre nuvens de fumaça
Sinhá Vitória ali estava
Mulher de muita raça
Olhando o fogo que soprava
Seu rosário despencou
Entre os seios enfiou

Baleia pulou para o lado
E a tudo assistia
O pêlo ficaria sapecado
Pelo fogo que ardia
Tinha que se proteger
Do fogo se esconder

A cachorra assustada
De Sinhá se aconchegou
Esta, revoltada
A coitadinha enxotou
Na cachorra se vingava
Enraivada que estava.

Era a cama que não tinha
Na qual pensava noite e dia
Até Baleia já sabia
O que mais ela queria
O tempo passava
A esperança acabava.

O marido não a entendia
Talvez sonhasse em vão
Por que tanto ela pedia
Uma cama, não um fogão
Da cabeça não tirava
A idéia só aumentava.

Ela era muito teimosa
Não queria abrir mão
Já tinha uma vida penosa
Não merecia isso não
Que a cama fosse cara
Não merecia dormir sobre vara.

Esquecia-se da vida
Vivia a sonhar
Pensando numa saída
Para a cama conquistar
Chamou então o marido
E lhe fez este pedido

Incomodou-lhe a ferida
Que Fabiano abriu
Ficou tão arrependida
O comentário lhe feriu
Comparou-a a um bicho
Sentiu-se como lixo

Triste, lembrou-se do louro
Que lhes serviu de alimento
Mas a cama de lastro de couro
Não lhe sai do pensamento
E ali naquela lida
Levava a sua vida

Ainda sentia-se feliz
Como se nada lhe faltasse
Só a cama que sempre quis
Fazia-lhe lembrar-se
Daquele seu presente
De uma vida diferente.

Andréa, Camila, Daiane, Joanice, Jéssica e Josoelton (8ª B)

Capítulo 5 - O menino mais novo

Achava Fabiano importante
Vaqueiro queria ser
Era tão interessante
A profissão que ia escolher
No animal ele ia montar
E o pai sempre o admirar

Baleia tentou acordar
Ela nem ligou
A mãe foi chamar
Mas ela se zangou
No chiqueiro se escondeu
Por tudo que lhe aborreceu

O menino deitou-se na esteira
Onde dormiu e sonhou
As imburanas cobriam-lhe de poeira
E Baleia acordou
Da véspera se lembrou
E até o juazeiro se aproximou

Lembrou da queda que tomou
Naquela sua tentativa
O burro ele não domou
Foi ao chão de barriga
Ficou rindo o seu irmão
Seu esforço foi em vão.

Um bando de periquito ele viu
Desejou ter um
Mas depois o bando sumiu
E ficou sem nenhum
Os olhos ele baixou
E depois esfregou

Ele muito queria crescer
Levantar poeira como pé-de-vento
Uma faca na cintura trazer
Todos admirados no momento
Se sentiria importante
Seu pai o admiraria naquele instante.

Êmeli, Jeane Oliveira, Lucas Felipe, Marcos Vinícius e Wellington (8ªC)

Capítulo 6 - O menino mais velho

Na cozinha ele via
Que a mãe só reclamava
Ela sempre dizia
“Ê inferno!”, ele observava
Mas o que queria dizer?
O significado ele queria saber.

Dúvida ele tinha
Mas quem a tiraria?
Daquela palavrinha
Ninguém saberia
Ele sempre perguntava
Insistia e perturbava

Baleia um osso queria
Na cozinha ela ficava
Sinhá Vitória cozinhava
E o menino perguntava
Seria melhor ficar mudo
Não levaria um cascudo

Um castigo sua mãe lhe deu
Foi então que se aborreceu
Sentia-se abandonado
Só a cadelinha ao seu lado
Mas ela não sabia falar
Entender-lhe era complicado

Interessou-se pela palavra
Mas coisas ruins ela expressava
Baleia farejava a panela
O osso estava dentro dela
O cheiro não a deixava
E para o menino não ligava.

Êmeli, Jeane Oliveira, Lucas Felipe, Marcos Vinícius e Wellington (8ªC)

Capítulo 7 - Inverno

A família estava reunida
Em torno da fogueira
Mas não estava entretida
Fabiano só falava besteira
Enquanto muito chovia
A família assistia

Façanhas ele contava
Começou moderadamente
Pouco a pouco se excitava
E falava o que vinha à mente
Ali o que importava
Era ter todos á sua frente

O rio vagarosamente subia
Preocupou Sinhá Vitória
De tanta coisa já fugira
Ainda mais enchente agora
Se a seca castigava
Água demais abusava

A cachorra era paciente
Para o carvão em brasa olhava
Espiava toda aquela gente
De conversa fiada
Dormir ela precisava
E das pulgas se livrava

Ailton, Anderson, André, Everton, Tiago (8ªC)

Capítulo 8 - Festa

Fabiano e sua família
Foi à festa na cidade
As pessoas arrumadas
Eles em roupas apertadas
Sinhá Vitória queria ir embora
Fabiano disse não ser a hora

Também a cachorra Baleia
Que vinha logo atrás
Se sentia numa cadeia
Sem liberdade demais
Como era um animal
Não comemoraria o natal

Os meninos entraram na igreja
Ficaram assustados
diante daqueles santos
Se sentiam minimizados
Se já eram marginais
Agora se sentiam mais

Ailton, Anderson, André, Everton, Tiago (8ªC)

Capítulo 9 - Baleia

Baleia ficou doente
Sua pele estava escura
Estava toda inchada
Não tinha mais cura
Sofria muito a coitada
Fabiano resolve mata-la

Sinhá Vitória achou precipitada
Afinal não estava louca
Mas não havia escolha
O que aconteceria à cachorra
Se sofria de hidrofobia
O que fazer já se sabia

A pata traseira de Baleia
A carga atingiu
Arrastando-se em três delas
Para trás da moita fugiu
Ficou ali escondida
Sentindo-se só e traída

Baleia cansada os olhos abriu
Foi quando em sua frente viu
O objeto ameaçador
Fabiano parecia um caçador
Ela o morderia mas desistira
Pois a ele pertencia

Baleia só queria dormir
Para quando os olhos abrir
Acordar rodeada de preás
E então, feliz e em paz
De Fabiano lamber a mão
Com as crianças rolar pelo chão

Geise, Cláudia, Camila, Iracema, Thaís, Gilvânia (8ªC)

Capítulo 10 - Contas

Aquele fazendeiro safado
Estava sempre o explorando
E viu que foi roubado
Dessa vez não foi engano
Ele ficou desesperado
Por que foi enganado

Louco e preocupado
Ficou logo agoniado
Queria matar o desgraçado
Que lhe tinha roubado
Como não era bom nas palavras
Baixou a cabeça e foi pra casa

Valéria, Cláudia, Crislane, Roqueline e Wendiane (8ªC)

Capítulo 11 - O soldado amarelo

Passado quase um ano
De sua injusta prisão
Encontra-se Fabiano
Com o soldado no sertão
Tinha a chance de vingar-se
Derruba-lo ao chão

Mas seria covardia
O soldado sem a farda
Fabiano disso sabia
E autoridade respeitava
Queria levantar o facão
Mas não mataria um cristão

Embora estivesse perdido
No meio da caatinga
Fabiano o ajudou
Com o dedo apontou
Indicando-lhe a saída
Não lhe tiraria a vida.

Jaqueline, Jéssica, Letícia (8ªC)

Capítulo 12 - O mundo coberto de penas

Vinham em bando
Anunciando seca no sertão
Um bicho de penas
Que do gado não tem pena
Nas árvores descansava
No rio se arranjava

Fabiano desconfiado
Desse bicho e com o gado
Procurou logo uma solução
Olhou os quatro cantos
Mirou-os de relance
E chegou a uma posição

Daria cabo dessa praga
Pra não abandonar o sertão
Mas sabia de experiência
Mesmo sem sapiência
Não era a causa da seca
Mas a sua conseqüência

O sertanejo que é sabido
Não quer guerra, só paz
Não carece fugir da seca
Pois ela vem atrás
Sua terra, sua gente
Isso lhe satisfaz

Valéria, Cláudia, Crislane, Roqueline e Wendiane (8ªC)

Capítulo 13 - Fuga

A vida na fazenda
Se tornara difícil
Por isso na madrugada
Arrumaram um ofício
Sairiam na espreitada
Pra não pagar mais nada

De volta à estrada
A caminhada reiniciou
Sinhá Vitória revoltada
Fabiano resmungou
Viver como tinham vivido
Empregados de um bandido

Melhor seria mesmo partir
O mundo é muito grande
Procurar motivos para sorrir
Ir pra um lugar distante
A seca se aproximava
Essa nunca os deixava.

Adriana, Camila, Edna, Lílian e Thaislane (8ªB)