Entre nuvens de fumaça
Sinhá Vitória ali estava
Mulher de muita raça
Olhando o fogo que soprava
Seu rosário despencou
Entre os seios enfiou
Baleia pulou para o lado
E a tudo assistia
O pêlo ficaria sapecado
Pelo fogo que ardia
Tinha que se proteger
Do fogo se esconder
A cachorra assustada
De Sinhá se aconchegou
Esta, revoltada
A coitadinha enxotou
Na cachorra se vingava
Enraivada que estava.
Era a cama que não tinha
Na qual pensava noite e dia
Até Baleia já sabia
O que mais ela queria
O tempo passava
A esperança acabava.
O marido não a entendia
Talvez sonhasse em vão
Por que tanto ela pedia
Uma cama, não um fogão
Da cabeça não tirava
A idéia só aumentava.
Ela era muito teimosa
Não queria abrir mão
Já tinha uma vida penosa
Não merecia isso não
Que a cama fosse cara
Não merecia dormir sobre vara.
Esquecia-se da vida
Vivia a sonhar
Pensando numa saída
Para a cama conquistar
Chamou então o marido
E lhe fez este pedido
Incomodou-lhe a ferida
Que Fabiano abriu
Ficou tão arrependida
O comentário lhe feriu
Comparou-a a um bicho
Sentiu-se como lixo
Triste, lembrou-se do louro
Que lhes serviu de alimento
Mas a cama de lastro de couro
Não lhe sai do pensamento
E ali naquela lida
Levava a sua vida
Ainda sentia-se feliz
Como se nada lhe faltasse
Só a cama que sempre quis
Fazia-lhe lembrar-se
Daquele seu presente
De uma vida diferente.
Andréa, Camila, Daiane, Joanice, Jéssica e Josoelton (8ª B)
Atividade - de 01 a 13 de setembro
Há 17 anos

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